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MARCA DA BESTA: Russo se transforma em "ciborgue" a serviço da ciência



Foi um longo dia e você está exausto. Ainda na calçada, acena para abrir a porta da sua casa. Conforme passa pelos cômodos, as luzes vão se acendendo. Na cozinha, a chaleira começa a ferver a água para preparar seu chá preferido; na sala de estar, a televisão liga automaticamente e fica preparada para quando você quiser assistir àquela série que adora. Bem-vindos, caros leitores, ao futuro não tão distante.
O cenário descrito acima é sedutor, porém tem suas contraindicações. Ao mesmo tempo em que é confortável, a internet das coisas — tecnologia que permite que os dispositivos fiquem alinhados a ponto de fazer com que esses avanços se concretizem — deixa os dados dos usuários à mercê das grandes corporações e vulneráveis aos ataques de hackers. É aí que entra Evgeny Chereshnev. Conhecido como “Che”, o vice-presidente de marketing de varejo da Kaspersky Lab, empresa especializada em softwares de segurança, se preocupa tanto com a forma como essa tecnologia pode afetar a segurança das pessoas que adotou a causa etransformou a própria vida em um experimento científico.
No início de 2014, com o aval de seus superiores e colegas de trabalho, Che teve um chip de 2 mm x 12 mm implantado em sua mão esquerda, dando início ao projeto Diário do Homem Biônico. A partir da experiência, ele passou a estudar os prós e contras da inserção da internet das coisas na vida das pessoas — e começou a descobrir como tornar a experiência dos usuários a mais confortável e segura possível. “Esse projeto é a prova de que nada é impossível. Toda grande experiência começa com um pequeno passo, e acredito que tenhamos dado início a algo de grande dimensão”, diz Che, que, para divulgar o projeto, se apresentou na edição deste ano da Campus Party Brasil, em São Paulo. Entre uma palestra e outra, Che encontrou tempo para dividir suas experiências com a GALILEU.

EU, ROBÔ: O russo Evgeny Chereshnev decidiu implantar um chip no corpo depois de discutir a ideia com amigos em um bar no meio da madrugada (Foto: Divulgação)
Como você tomou a decisão de implantar um chip em si mesmo?
Tomei essa decisão no bar, por volta das 3 da manhã. Eu e alguns colegas estávamos em um evento que discutia a (falta de) segurança da internet das coisas e decidimos que precisávamos fazer algum tipo de projeto para chamar a atenção do público para esse problema. Então, às 3 da manhã, meio bêbados — a maioria das boas decisões são tomadas em ambientes amigáveis, com cerveja envolvida —, começamos a rascunhar ideias. Concluímos que seria interessante investir em biohacking, porque a internet das coisas hoje envolve apenas dispositivos conectados, mas é lógico que depois de um tempo as pessoas começarão a tentar conectar o próprio corpo. E o que ocorre na rede hoje é praticamente uma guerra: existem exércitos de robôs controlados por hackers e a todo segundo um novo malware aparece. Ao trabalharmos com chips, nos adiantamos em relação a esses hackers — já estamos pesquisando uma área pela qual eles ainda não se interessam. Então, quando se interessarem, estaremos preparados no que diz respeito à proteção.
E como você imagina que vai funcionar a relação entre as pessoas e os dispositivos?
O que nos dizem até o momento é que a internet das coisas será uma nova forma incrível de viver, e que controlaremos tudo — a temperatura, carros, geladeiras — a partir de nossos smartphones ou dispositivos móveis. Eu discordo firmemente. Primeiro porque eu não tenho tempo para lidar com todas essas coisas que, na realidade, já funcionam. O que muitas empresas querem fazer com a internet das coisas é criar um ambiente no qual nós pagaremos mais para termos o controle das coisas que já controlamos. Por exemplo: você usa um ar-condicionado e o liga toda vez que sente vontade, mudando a temperatura de acordo com suas necessidades. O que aconteceria com a internet das coisas, segundo essas empresas, é que você teria um aplicativo por meio do qual faria esse controle, mas ele provavelmente não seria gratuito. E se fosse gratuito, os dados seriam colhidos e utilizados para ganhar dinheiro de alguma forma. Isso é um problema. O que queremos é descobrir uma maneira de o usuário ter o controle dessas informações.

E como é essa experiência na prática?
Eu não fui a primeira pessoa a implantar um chip, mas fui o primeiro profissional a fazê-lo. Isso tem um grande significado, porque a maioria das pessoas que implantaram chips antes de mim fizeram isso por diversão. No meu caso realmente foi algo profissional, a empresa inteira está envolvida com o projeto. Basicamente tentamos imitar ambientes realistas, então substituímos as maçanetas das portas do escritório, na garagem, na academia, e o pessoal da tecnologia da informação monitora o que eu faço, o quão rápidas e eficientes são minhas ações. E fazemos tudo isso de forma transparente. Nós queremos que as pessoas participem desse processo, porque a privacidade e a proteção da identidade não deveriam ser controladas por uma só empresa. Já temos companhias como Google, Apple, Amazon, Yahoo, elas são grandes e já são donas dos dados de seus clientes. E acredito que, em alguns casos, estejam fazendo um trabalho incrível em manter essas informações encriptadas e protegidas, mas, no fim do dia, ainda são as donas dos dados.
Quem exatamente teria acesso aos dados armazenados pelo chip? Esse acesso poderia ser controlado?
Do ponto de vista tecnológico é possível criar um ambiente no qual você pode controlar os seus dados. O problema é que para isso acontecer seria necessária uma mudança radical na forma de pensar tecnologia, porque nas plataformas atuais, como o Android e o iOS, é praticamente impossível você ter o controle absoluto — eles são donos da infraestrutura, do sistema.Mas acredito que ainda seja possível criar algumas ferramentas que melhorariam dramaticamente a segurança. Existe uma oportunidade, por exemplo, de a comunidade de pessoas que está acompanhando essa experiência do biochip contribuir para um projeto público que pode se tornar um novo sistema operacional, uma nova plataforma ou até mesmo um novo conjunto de padrões para a internet das coisas.
Você até agora mencionou apenas a necessidade de evitar que os hackers tenham acesso aos dados dos usuários, mas qual é a sua posição em relação à vigilância realizada pelos próprios governos?
Os países querem ter acesso aos dados de seus próprios cidadãos, para o caso de precisarem, e honestamente acho que é uma abordagem justa. Os governos precisam cuidar de seus cidadãos e, em alguns casos, como os de crimes, por exemplo, eles precisam ter acesso a algumas informações. Se um sujeito é suspeito de cometer um assassinato, as autoridades podem ter acesso aos seus registros e ouvir as suas ligações, ver com quem conversou, e com isso descobrir se ele é culpado ou inocente. Mas o resto das informações da pessoa desde que ela nasceu, todas as fotos de Facebook e registros médicos são irrelevantes para a tarefa que estão realizando. 
Faz quase um ano que você implantou o chip. Quais são as mudanças que você acredita serem necessárias para melhorar a experiência do usuário?
Em curto prazo, quero ter encriptação, de forma que a próxima geração — que está a caminho, aliás — precisa ter uma  espécie de CPU. A encriptação é necessária principalmente para garantir a segurança do usuário em ações relacionadas a pagamentos. Um dos cenários que idealmente quero prevenir é que as pessoas conectem suas contas e senhas em todos os seus dispositivos — autenticar sua conta de Facebook no carro, na geladeira, no ar-condicionado etc. Porque caso aconteça algo com a conta de Facebook do usuário, ele perde o controle de todos os seus dispositivos, nada vai funcionar. É assustador que uma companhia tenha o controle de acesso a vários serviços que não têm nada a ver com ela. Quero mudar isso com o chip. Existem maneiras de criar um novo tipo de autenticação da identidade do usuário. Quero que os dispositivos já saibam quem é o usuário quando ele entra na sala e que eles tenham alguns limites. Então, quando eu chego em casa, quero que a cafeteira comece a fazer café porque sabe que fui eu que cheguei, mas se for a minha irmã, que não toma café, quero que o dispositivo aja diferente.
Em quantos anos você acredita que essa tecnologia estará acessível para o público?
O que queremos descobrir agora é como converter a temperatura do corpo ou movimentos corporais em eletricidade ou energia que pode ser usada pelo chip. Acredito que um protótipo desse tipo possa ser desenvolvido em até cinco anos. E quando isso acontecer continuarei compartilhando minhas experiências, de modo que as pessoas possam fazer suas perguntas e esclarecer- suas dúvidas a respeito delas.
Via: revistagalileu
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