RELATÓRIO: A era do petróleo chegou ao fim?!

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Mundo acelera "desdolarização" antes do colapso da 

economia dos EUA



As potências emergentes estão pressionando por um mundo multipolar, sem que os Estados Unidos sejam capazes de os deter, uma vez que estão perdendo o seu poder político, disse à Sputnik William Engdahl, observador para a edição online New Oriental Outlook.

De forma lenta, mas segura, a Rússia, a China e outras economias emergentes começam a reduzir a sua dependência em relação ao dólar norte-americano. A Rússia planeja vender o petróleo usando o rublo, minando o monopólio atual norte-americano do preço do petróleo.
"Isso iria começar a desdolarização do comércio mundial de petróleo de uma forma significativa", disse Engdahl Sputnik.
Este passo seria um golpe dramático para a economia norte-americana e quebraria a hegemonia política dos Estados Unidos, explicou Engdahl.
Contudo, a economia dos EUA já tem dificuldades.
"O resto do mundo começa a perceber que os Estados Unidos da América, a hegemonia ou a única superpotência, como quiserem chamá-los, estão de fato falidos", disse o especialista político à Sputnik.
Não se trata simplesmente de desdolarização futura do comércio de petróleo global, explicou Engdahl; a situação é provocada pelos danos sofridos pela economia estadunidense.
O quadro econômico dos EUA é “terrível”, disse Engdahl, alegando as indústrias norte-americanas que foram transferidas para outros países, o desemprego que excede as estimativas mais ousadas e os trilhões de dólares de dívida.
Analistas do JP Morgan são menos dramáticos do que Engdahl, mas concordam em que a chance de a economia dos EUA desacelerar ao longo dos próximos anos aumentou 75%. Enquanto a economia mundial deverá crescer 2,6% em 2016, a economia dos EUA provavelmente entrará em recessão.

Barril de petróleo da Opep cai para US$ 25, o menor preço em 12 anos


O preço do barril da Opep registrou nesta quinta-feira (15) uma nova queda, de 2,69% em relação à véspera, e foi a US$ 25, informou o grupo com sede em Viena. O preço da commodity da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) encadeou sua quarta baixa consecutiva e está no valor mais baixo desde setembro de 2003.
Desde maio do ano passado, o petróleo da Opep registra uma forte tendência de baixa, que o fez perder desde então quase US$ 40 por barril.
O baixo nível dos preços se deve a um excesso da oferta nos mercados, com a que a Arábia Saudita, "peso pesado" da Opep, pretende tirar do mercado produtores alternativos de petróleo mais caro, sobretudo nos Estados Unidos.
A isso se acrescenta a perspectiva de uma breve alta das exportações do produto da parte do Irã, após a esperada retirada das sanções internacionais contra esse país no marco do acordo nuclear pactuado em julho passado.
Brent
O barril de petróleo Brent caiu nesta sexta-feira no mercado de Londres abaixo dos US$ 30 pela primeira vez desde março de 2004, devido à inquietação dos investidores sobre a economia chinesa e o excesso da oferta.
O Brent, de referência na Europa, chegou a ser cotado no International Exchange Futures (ICE) de Londres, a US$ 29,97 poucos minutos depois da abertura da sessão, queda de 3,3% em relação aos US$ 31 com que começou o dia.
Os preços do petróleo acumulam mais de um ano e meio de quedas, devido a um excesso de oferta dos mercados, mas agora se acrescentou a preocupação com as turbulências financeiras na China, segundo maior consumidor mundial da commodity.
Os analistas não descartam que o petróleo prossiga sua queda e chegue no final do ano a uma cotação em torno dos US$ 10.
O preço do petróleo está em níveis nunca vistos desde o final de março de 2004 e, por enquanto, não há perspectivas de recuperação, sobretudo pela falta de acordo entre os países produtores sobre um corte da produção, segundo os especialistas.
Também influiu nos preços a tensão política entre Arábia Saudita e Irã, dois dos maiores produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), por causa da recente execução de um clérigo xiita.

Baixa do petroleo põe em xeque 'plano pré-sal' para o Brasil

Em 2007, quando o governo brasileiro anunciou a descoberta das reservas do pré-sal, os preços do petróleo viviam um processo de ascensão surpreendente que teria seu ápice no patamar de US$ 140 o barril, no ano seguinte.
Entusiasmado, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o Brasil havia ganhado um "bilhete premiado". "É nosso passaporte para o futuro", disse.
A ideia do governo, na época, era usar essas reservas para impulsionar um projeto de desenvolvimento: parte dos recursos provenientes da exploração do petróleo seria direcionada a um fundo para a educação; além disso, regras de conteúdo local garantiriam o avanço, no país, de diversos setores - da indústria naval ao fornecimento de peças e serviços para a construção de plataformas.
Nove anos depois, a indústria petrolífera brasileira vive uma ressaca desse entusiasmo.
E não apenas em função da operação Lava Jato, que paralisou parte das operações da Petrobras. Ou da alta do dólar, que apertou as finanças da estatal, bastante endividada na moeda americana.
Para completar o que parece ser uma "tempestade perfeita", no início da semana o barril tipo Brent, negociado em Londres, atingiu US$ 30,43, valor mais baixo desde 2004.
Em Nova York, o barril de West Texas Intermediate (WTI) caiu para baixo da casa dos US$ 30 pela primeira vez desde dezembro de 2003.
E analistas de instituições financeiras como o banco Goldman Sachs não descartam que o produto chegue ao patamar de US$ 20 ainda neste ano, embora muitos também esperem uma gradual recuperação dos preços no médio prazo.
"É um patamar de preços que lança dúvidas sobre as margens de lucro que podem ser obtidas com a exploração do pré-sal e reservas não convencionais mundo afora", opina David Zylbersztajn, ex-diretor geral da Agência Nacional de Petróleo.
"O que fica claro é que o pré-sal nunca foi um passaporte para o futuro nem um bilhete premiado. Foi um erro apostar tantas fichas em um setor que, apesar de extremamente importante e relevante, também é volátil."
A Petrobras diz que conseguiu alcançar um custo de extração no pré-sal da ordem de US$ 8 o barril, o que mantém a extração como vantajosa.
Walter de Vitto, analista de energia da Consultoria Tendências, porém, explica que para viabilizar novos investimentos o custo se torna maior - algo em torno de US$ 40 e US$ 50.
"O pré-sal sem dúvida é uma benesse, algo positivo para o Brasil, mas talvez seja a hora de repensar a estratégia para explorar essa riqueza, levando em conta a volatilidade desse mercado", opina Vitto.
"Parece que foi um erro, por exemplo, ter atrasado a exploração em quase dois anos em um momento em que os preços estavam nas alturas para se conseguir definir um novo marco regulatório."
Causas
Analistas atribuem a recente queda do petróleo a três fatores.
"Para começar, como o produto é cotado em dólar, no geral seus preços tendem a cair quando a moeda americana se valoriza, como agora", diz de Vitto.
Um segundo fator de pressão sobre os preços seria o excesso de oferta.
"A questão é que quando os preços do petróleo estavam altos foram feitos muitos investimentos e abertas novas áreas de exploração", explica Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Como resultado, a produção se expandiu em um momento em que a economia global não cresce muito e, portanto, a demanda não está grande.
"Por isso, o que temos é basicamente um problema de oferta", diz Pires.
Para completar, houve uma mudança na estratégia dos grandes produtores da commodity, como a Arábia Saudita.
No passado, esses países costumavam fazer cortes em sua produção para manter os preços relativamente estáveis, sempre que havia uma queda significativa.
Hoje, porém, com a abertura de novas áreas de exploração, esses países hesitam em adotar essa estratégia com medo de perder mercado.
"Os preços podem continuar caindo até maio e poderiam chegar a US$ 20. Mas a grande questão para a indústria petrolífera não é tanto até onde podem cair, mas por quanto tempo devem se manter nesse patamar mais baixo", diz de Vitto.
"E, felizmente para as empresas e países produtores, acho que há certo consenso de que no segundo semestre já deve haver uma recomposição de preços para a casa dos US$ 40 ou US$ 50, que seria até maior não fosse a perspectiva de o Irã voltar a esse mercado com o fim das sanções ao país."
Pires, do CBIE, concorda que no médio prazo a tendência é de alta.
"Com o principal problema é o excesso de produção, conforme as empresas ajustem seus planos de negócios a essa nova realidade teremos uma recuperação gradual dos preços", opina.
Revisões
Com a queda nas expectativas de receita, muitas empresas do setor de fato já estão anunciando uma revisão de seus planos de negócios e investimento mundo afora. Principalmente nas áreas de exploração mais caras.
A britânica BP, por exemplo, anunciou que irá cortar 4 mil empregos em suas atividades de produção e exploração em diversos países.
A própria Petrobras nesta terça-feira anunciou uma redução de quase 25% em sua previsão de investimento para o período 2015-2019 em um comunicado no qual citou a mudança de patamar dos preços do petróleo e do câmbio. A empresa foi consultada para esta reportagem, mas não respondeu até o fechamento.
No novo plano de negócios, a empresa projeta o petróleo a US$ 45 na média para 2016 e prevê que um corte de investimentos de US$ 32 bilhões do que era previsto inicialmente.
"São mais de US$ 30 bilhões que deixarão de ser investidos na economia e isso evidentemente terá um efeito relevante em toda a cadeia produtiva do setor, na geração de empregos e etc.", diz Zylbersztajn. "Por isso, o país perde no médio e longo prazo."
No curto prazo, como ressaltam de Vitto e Pires, é difícil dizer se o Brasil ganha ou perde com a queda do petróleo.
O país ainda é um importador de derivados dessa commodity e uma baixa dos preços tende a reduzir os custos dessas compras, aliviando a pressão sobre a balança comercial brasileira.
Além disso, como os preços dos combustíveis não foram reduzidos internamente, a Petrobras tem ganhado com a diferença de preços entre os mercados interno e externo.
"Mas essa é uma situação que, cedo ou tarde, a empresa será pressionada a mudar”, diz de Vitto.
“Trata-se de uma peculiaridade do mercado brasileiro, mas acho que dá para dizer que, do ponto de vista da estatal petrolífera, uma queda do preço do petróleo é sempre uma má notícia. E ao afetar os investimentos no setor, o Brasil também perde", opina De Vitto.

A era do petróleo chegou ao fim – presidente do maior banco da Rússia



Herman Gref, presidente do Sberbank, o maior banco da Rússia, acredita que a era do petróleo já chegou ao fim, e que o mercado viverá um último período decadente, de cerca de 10 anos, até que haja um pleno desenvolvimento da indústria de automóveis movidos a energia elétrica.

"Podemos dizer que essa era ficou no passado. Hoje, da mesma forma que dizem – a Idade da Pedra não acabou porque acabaram as pedras , – podemos falar com certeza que a era do petróleo já terminou. Se haverá um período de transição, não sei de quanto tempo será – 10 anos, enquanto toda a infraestrutura de automóveis elétricos não estiver devidamente desenvolvida" – acredita o presidente do maior banco da Rússia.
"Quando sentei pela primeira vez num carro Tesla, eu entendi que o futuro, infelizmente, chegou antes do que esperávamos, como sempre" – disse Greff ao discursar num importante fórum econômico em Moscou.
Nas palavras do economista, nos próximos anos a China aumentará a capacidade instalada de suas centrais elétricas movidas por fontes renováveis de energia para até 560 GW (gigawatts). "Para efeito de comparação, isso é 2,5 vezes mais do que toda a capacidade instalada da Rússia" – revelou Gref. 
A capacidade instalada do sistema elétrico unificado da Rússia, segundo dados do início de dezembro de 2015, era de cerca de 235 GW. A capacidade instalada do sistema elétrico chinês no início do ano passado já ultrapassava os 1300 GW.
"A previsão mais próxima é que a de que a China, mediante as suas atuais taxas de criação de energia alternativa, consumirá, aproximadamente, até 45% menos de fontes convencionais de energia. Trata-se do nosso carvão voltado para o mercado chinês, que nós desenvolvemos e exportamos em grandes volumes e no qual continuamos fazendo grandes investimentos. Bem como os hidrocarbonetos" – disse Gref.
Via: sputniknews / G1


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