PERIGO: Vacina da dengue do Instituto Butantan será testada em todo o Brasil

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A imunização será aplicada em cerca de 17 mil voluntários de 12 estados brasileiros


O Instituto Butantan, considerado um dos maiores produtores de imunobiológicos do Brasil, anunciou que a vacina contra a dengue que estão desenvolvendo entrará na fase 3 de testes. Nessa etapa do processo, serão recrutados 17 mil voluntários para o estudo que será duplo cego randomizado. "Ou seja, dois terços dos voluntários receberá a vacina, enquanto os outros receberão apenas o veículo, sem o vírus", explica David Uip, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, em coletiva de imprensa com o governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o diretor do Instituto Butantan Jorge Kalil.
A vacina do Instituto Butantan será dada em uma única dose e pretende imunizar contra os quatro tipos de vírus. Portanto, nessa etapa os testes serão feitos em 12 estados, pois é necessário que os voluntários estejam expostos aos quatro tipos de dengue, e no estado de São Paulo há uma maior incidência do tipo 1 e 4.
O plano é que essa fase do estudo dura cerca de 5 anos, mas antes disso, caso a vacina já tenha evidências suficientes apontando sua eficácia, ela comece a ser produzida em larga escala para todo o país, e posteriormente em escala mundial, enquanto o estudo prossegue. Para tanto, o secretário David Uip pretende se reunir com empresas nacionais e internacionais para negociar a ajuda na produção. As doses que serão usadas na fase 3 dos testes já foram produzidas pelo Instituto Butantan. "Participaremos também a produção em larga escala quando ela ocorrer", ressalta Jorge Kalil, diretor do Instituto. A ideia é que a vacina seja gratuitamente distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Tudo dependerá, contudo, do tempo que eles demorarão para conseguir esses 17 mil voluntários, apesar de haver bastante interesse, de acordo com os responsáveis pela vacina.
Nas primeiras fases dos testes, a vacina só apresentou como efeito adverso pequenas vermelhidões no corpo (o chamado tecnicamente de rash cutâneo) e dores de cabeça. "Acreditamos que a vermelhidão é mais um indicativo de que a aplicação foi feita com sucesso do que um efeito colateral", considerou David Uip. No entanto, ele lembra que este teste em larga escala também tem como finalidade verificar os efeitos colaterais em uma amostragem maior de pessoas.
Pessoas que já tiveram a doença podem tomar essa vacina. "Inclusive, na fase dois do teste esses pacientes apresentaram resultados melhores à vacina", afirma Kalil. Além disso, quando uma pessoa pega um tipo de dengue, ela só desenvolve anticorpos para esse vírus específico, o que não a torna imune aos outros tipos.

Vacina contra dengue no México

Enquanto isso o México foi o primeiro país a aprovar o registro da vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur, que também está com pedido de registro no Brasil. A agência reguladora mexicana indica o produto apenas para a faixa etária entre nove e 45 anos. A imunização deverá ser feita em três doses, com intervalos de seis meses.
O laboratório responsável pela vacina afirma que o imunizante tem eficácia de 60,8% contra os quatro sorotipos da doença, taxa de redução de hospitalização de 80,3% e diminuição de 95,5% de casos graves da dengue.
O desenvolvimento deste produto levou cerca de 20 anos e, até o final de dezembro, o pedido de registro terá sido feito em pelo menos 20 países. Segundo informado, para o desenvolvimento da vacina foram realizados testes em pessoas entre nove meses e 60 anos, porém, a agência reguladora, baseada nos estudos, decide qual vai ser a faixa etária de indicação no país.
Quando questionado a respeito dessa vacina em coletiva de imprensa, o secretário de Saúde do Estado de São Paulo David Uip afirmou que a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan tem maior eficácia pois é feita com o vírus atenuado e não com uma parte do vírus, como a produzida pela Sanofi Pasteur. Além disso, eles apontam as restrições a essa vacina que foram impostas ao país, que só a administrará em locais em que 60% da população apresenta o vírus.

Batalha contra o Aedes aegypti

David Uip ressaltou que a existência de uma vacina contra a dengue não isenta o estado e o país de medidas de redução dos focos do mosquito. "É importante lembrar que o Aedes aegypti é vetor de mais três doenças: febre zikafebre chikungunya e febre amarela, e a vacina atual só imuniza com relação ao vírus da dengue", alerta o secretário.
Quando questionados a respeito do desenvolvimento de uma vacina para o zika vírus, David Uip e Jorge Kalil afirmaram que o Butantan já começou esse projeto, mas ainda não há nada produzido. No entanto, a produção da vacina contra a dengue já traz um conhecimento valioso para a criação dessa outra imunização.
Via: minhavida

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