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Os humanos deveriam se auto-exterminar da face da Terra


Você já deve ter reparado que há algo de errado com o planeta. Estamos vivendo em completo desequilíbrio com a natureza, explorando todos seus recursos sem dó, fazendo o que tiver de ser feito para que a produção e o consumo continuem regendo cada aspecto da nossa vida. Apesar de ser triste, o azar é só nosso: a natureza, por mais abusada que tenha sido pelo ser humano ao longo dos anos, continuará impávida por muito tempo depois que o homem, esse inquilino prepotente e folgado, for extinto. E se a gente acelerasse esse processo só um pouquinho? E se a gente parasse de se reproduzir e deixasse a Terra seguir com a sua vida sem ter que suportar o fardo dos caprichos do homem?
É isso que o The Voluntary Human Extinction Movement (VHEMT) sugere. Em português o nome seria algo como Movimento pela Extinção Humana Voluntária – em inglês, o som da sigla VHEMT é o mesmo de vehement, ou veemente, em português. E não há como negar a veemência dessa ideia. “Áreas do planeta que nós abandonamos servem de exemplo de como ecossistemas se recuperam da nossa presença. Chernobyl é radioativa demais pra gente, mas a vida selvagem de lá retornou”, afirma Les U. Knight, que faz questão de dizer que não é o líder do movimento, mas apenas o cara que deu um nome a ele – Les acredita que a ideia de voluntária e gradualmente nos auto exterminarmos sempre esteve presente na cabeça de qualquer pessoa mais ou menos razoável. 
Vago quando o assunto é sua vida pessoal (idade: “muito velho para morrer cedo”; trabalho: “se estou conversando com alguém religioso, trabalharei nisso”), Les é bem mais enfático quando o assunto é o futuro do planeta e mostra que por trás do seu discurso está o enfrentamento a um estilo de vida pré-concebido calcado no “condicionamento natalista”. Em entrevista à GALILEU por email, o americano detalha algumas de suas ideias e faz a provocação derradeira:  “Qualquer avaliação honesta do futuro revela um mundo em que nós não gostaríamos que alguém vivesse, muito menos alguém que nós amamos”.
Veja como foi a conversa:
Como as pessoas podem contribuir para o movimento?
Cada um decide o que fazer além de não criar mais pessoas do que já temos. Simplesmente deixar os outros saberem que eles não precisam seguir a vida padrão já é alguma coisa. Se tivermos filhos, não precisamos forçá-los para que nos deem netos.   
No site do VHEMT é possível ver que as pessoas podem ser muito agressivas na hora de discordar do movimento. Por que você acha que isso acontece?
Quando as pessoas reagem exageradamente a ideias que dizem que devemos parar de criar mais de nós mesmos e que nossa existência é prejudicial ao planeta, isso mostra que no fundo elas percebem que é verdade. Elas ficam bravas porque se tornaram conscientemente alertas e não encontram razões para discordar. 
Qual você acha que é o grande obstáculo para o movimento? Quer dizer: muitas pessoas podem concordar que a humanidade é ruim para o planeta, mas essas mesmas pessoas adorariam ter crianças.
Quando procriamos, não estamos apenas tendo crianças: estamos criando um novo humano com uma vida inteira dedicada ao impacto ecológico. Nossa fase adulta dura três vezes mais que nossa infância. É esse tipo de pensamento a curto prazo que causa muitos dos nossos problemas.
Como você vê o papel do ego nessa nossa ânsia por procriar?
A motivação para reproduzir vem de diversas fontes. Me parece que casais querem ser aceitos pelos familiares e amigos, se conformando em trilhar um estilo de vida aprovado por eles. Ao rejeitar o modelo esperado, casais podem ser marginalizados em seus círculos sociais. Ninguém ouve um “parabéns” por não ter filhos. 
Você foi contemporâneo da Guerra do Vietnã. Como isso influenciou a criação do movimento?
Muitos homens americanos foram recrutados para participar na invasão e ocupação ilegais do Vietnã do Sul. Nem todos nós fomos até lá e tem uma grande diferença entre as duas experiências. Eu também era uma engrenagem na máquina de guerra e ao pagar meus impostos – à mão armada – ainda sou. O destrato da humanidade contra a humanidade motiva muitos dos voluntários do VHEMT em alguma escala.
Houve um tempo em que os humanos eram somente animais selvagens em busca de sobrevivência. Quando a coisa degringolou?
Normalmente se aponta a revolução agrícola como o grande ponto de mudança, mas acredito que foi quando aprendemos a usar o fogo.  O uso do fogo precede nossa evolução como Homo sapiens, então os humanos sempre impactaram os ecossistemas em que viveram. É só uma questão de escala: nossos fogos agora estão queimando o suficiente para alterar o clima do planeta todo.
Você se define como um anarquista, certo? Por que você acha que esse modelo nunca conseguiu ser aplicado em larga escala?
Eu sou contra a ideia de estruturas sociais hierarquizadas porque nenhuma pessoa deveria dominar a outra. Sociedades anarquistas não funcionam em larga escala porque, assim que os números crescem, as liberdades individuais diminuem em nome da manutenção da ordem. Quanto mais pessoas dividirem um banheiro, mais regras são necessárias e mais rígidas são as maneiras de aplicá-las.
Via: revistagalileu


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