Jornalista acusa serviços de informações dos EUA de incompetência

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O jornalista britânico Glenn Greenwald acusou hoje os serviços de informações norte-americanos de "incompetência e falhanço" na previsão dos atentados de Paris, ao reagir às declarações do ex-diretor da CIA sobre as revelações de Edward Snowden


"A Agência Nacional de Segurança (NSA) gasta milhões de dólares e usa inúmeros recursos relacionados com meios de espionagem e recolha de informações. Tinham como missão detetar os ataques terroristas. Neste caso, falharam redondamente e 190 pessoas morreram em Paris. Agora, acusam os outros por causa dos seus próprios falhanços. Culpar Edward Snowden é gratuito", disse Glen Greenwald ao canal público de televisão francês France 2.
Na quinta-feira, o ex-diretor da CIA, James Woolsey disse à estação de televisão CNN que Edward Snowden devia ser "enforcado", por ser "parcialmente responsável" pelos atentados de Paris ocorridos na sexta-feira passada.
O norte-americano Edward Snowden, ex-agente da NSA, revelou em 2013 o sistema de vigilância dos serviços de informações norte-americanos e os métodos de arquivamento de mensagens telefónicas de internet de milhões de pessoas em todo o mundo.
As revelações de Snowden, atualmente refugiado em Moscovo, foram inicialmente noticiadas por Glenn Greenwald no jornal britânico The Guardian.
O ex-diretor da CIA disse mesmo que o "sangue das vítimas dos ataques" de Paris mancha as mãos de Edward Snowden, numa alusão às revelações dos processos de encriptação nas mensagens eletrónicas através da internet ou telefones móveis, processos que podem ser utilizados pelos terroristas.
Greenwald, advogado especialista em Direito Constitucional e autor do livro sobre Edward Snowden intitulado "Sem Esconderijo", reagiu.
"Primeiro, não se sabe se os terroristas de Paris usaram a internet ou não. Há razões para a acreditar que viviam todos na mesma zona e que planearam tudo diretamente entre eles, sem usarem meios de encriptação na internet", disse Greenwald à France 2.
Na entrevista, o jornalista britânico, que vive no Brasil, explicou que se sabe "há mais de 20 anos" que o terrorismo usa meios de encriptação, muito antes das revelações de Edward Snowden.
"O que nós dizemos é que a NSA não está a espiar os terroristas. O que dizemos é que a NSA está a vigiar milhões de pessoas em todo o mundo", sublinhou.
Segundo Greenwald, os limites impostos pelo Congresso dos Estados Unidos sobre a vigilância aos cidadãos em território norte-americano foram modificados depois das revelações de Snowden, mas a legislação ainda não foi implementada.
A NSA arquiva milhões de mensagens de "pessoas inocentes" em todo o mundo, todos os dias, referiu ainda Greenwald, acrescentando que o excesso de informação recolhido pela NSA é de tal forma gigantesco que se torna difícil detetar sobre que material deve ser investigado.
"Os atos de espionagem estão de tal forma descontrolados que ainda não perceberam aquilo que estão a recolher e a arquivar", afirmou.
Para Greenwald, os Estados Unidos vivem "obcecados" há mais de duas décadas com qualquer mensagem encriptada e pretender forçar as "companhias tecnológicas de Silicon Valley" e as empresas de comunicações para desenvolverem e fornecerem programas que permitam decifrar a encriptação.
"Este ataque (contra Edward Snowden) é também dirigido a Silicon Valley, que não fornece o que eles querem", acusou Greenwald.
Para o jornalista britânico, Washington e os serviços secretos ocidentais têm de aceitar que as sociedades têm de ser livres e que tem de existir privacidade entre as pessoas, sem interferências governamentais sobre as comunicações.
"Espero que as pessoas nos Estados Unidos e em França tenham aprendido as lições dos ataques contra Nova Iorque de 11 de setembro de 2001 quando o medo foi instituído. Uma população com medo é uma população subjugada", afirmou.
Greenwall frisou mesmo que "o medo é uma arma que os governos utilizam", acabando depois por tomar medidas irracionais como -- afirmou - a invasão do Iraque, práticas de tortura em todo o mundo, o uso de aviões não tripulados (drones) para matar civis e incendiar a ira do Daesh e de outras organizações.
Via: rtp

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