COP21: A política do clima, o imposto do carbono e a lei global do aquecimento

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Obama diz acreditar em 'momento da virada' contra o aquecimento global


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira (30) na COP21, a Cúpula do Clima de Paris, que espera ver o "momento da virada" no combate ao aquecimento global.
Mais de 150 líderes do planeta deram início aos trabalhos com um apelo dramático para que consiga um acordo global contra a mudança climática, capaz de preservar a vida das gerações futuras no planeta.
Os representantes dos 195 países que participam da COP21 devem anunciar, em 11 de novembro, a formalização de um acordo mundial para limitar o aquecimento global a 2°C em relação à era pré-industrial.
Citando medidas de reduçao de emissões tomadas por seu próprio país, Obama ressaltou a necessidade de os países desenvolvidos tomarem a liderança no corte da produção de CO2, mas não deu detalhes de como espera que o novo acordo seja.
Representantes dos EUA chegaram a Paris em uma situação de desconforto, com o país defendendo um acordo apenas político, sem força de lei, para combater o aquecimento global, por medo de não conseguir aprovar um tratado de forma doméstica.
Obama, porém, rechaçou críticas de que os EUA estariam querendo fugir de sua responsabilidade.
"Não queremos fugir da responsabilidade de reconhecer nosso papel em causar esse problema", afirmou o presidente. "Venho aqui representando a maior economia do mundo e o segundo maior emissor de gases-estufa."
Obama citou em seu discurso os problemas que vem sendo enfrentados dentro de seu próprio país com o aquecimento global, citando o Alasca. Nesse estado no norte dos EUA, o mar tem avançado, as florestas boreais têm se incendiado mais e o permafrost (solo congelado) começou a desmoronar em muitas regiões.
"Somos a primeira geração a sentir os impactos da mudança do clima e a última que pode fazer algo contra isso", afirmou.
Com intenção de mostrar iniciativas de seu próprio país, Obama afirmou que, nos últimos sete anos a capacidade de geração de energia limpa por vento triplicou, e a energia solar se multiplicou por vinte.
Ele disse reconhecer que é preciso que o planeta se esforce mais, porém, mas sem mencionar temas polêmicos no acordo do clima, como a forma jurídica que o tratado vai adotar. O presidente americano se disse otimista e agradeceu os franceses por abrigarem a cúpula mesmo após os atentados terroristas de 13 de novembro terem deixado a cidade numa situação de fragilidade.
"Aplaudimos o povo de Paris por insistir em que essa conferência fosse realizada e por mostrar que nada vai nos impedir de construir um mundo novo para nossas crianças", afirmou.
China
Após o discurso de Obama, o presidente da China, Xi Jinping, assumiu a plenária, e afirmou que os países desenvolvidos devem estar à altura de seus compromissos financeiro de repassar US$ 100 bilhões até 2020 destinados a financiar projetos climáticos nos países do Sul e incrementar sua ajuda passada essa data.
O financiamento da ação contra o aquecimento do planeta constitui um dos principais pontos de bloqueio das negociações entre os 195 países.
ONU
Mais cedo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu a líderes mundiais para acelerar ações para evitar o perigoso aumento de temperaturas.
Promessas nacionais de cortes de emissões de mais de 180 nações foram, disse, um bom começo, mas não o suficiente para conter o aquecimento global em no máximo 2 graus Celsius, limite que, segundo cientistas, irá evitar piores consequências.
"Paris precisa marcar um ponto de mudança decisivo", disse. "Precisamos ir mais rápido e mais longe para limitar o aumento da temperatura global em menos de 2 graus Celsius".
O secretário-geral da ONU defendeu um acordo "universal, ambicioso, crível e a longo prazo" para "descarbonizar" a economia mundial, que também seja um "pacto solidário com os mais vulneráveis e com compromissos de adaptação para os países em desenvolvimento".
"O futuro do planeta depende dos senhores, não podemos permitir a indecisão, estamos convocados a transformar nosso modelo de desenvolvimento. A transição já começou, mas precisamos de sua ajuda e sua visão para acelerá-la", pediu Ban aos líderes mundiais no fim de seu discurso na Cúpula do Clima.
Luta contra o terrorismo
Também em discurso na abertura da COP21, o presidente da França, François Hollande, disse que as lutas contra o terrorismo e o aquecimento global têm uma ligação forte, à medida que líderes mundiais se reúnem em Paris para conversas sobre as mudanças climáticas duas semanas após ataques de militantes islâmicos na capital francesa.
Hollande também reiterou que qualquer acordo para tentar manter o aumento das temperaturas globais abaixo de 2 graus Celsius precisaria ser "universal, diferenciado e obrigatório", com países ricos contribuindo mais do que os pobres.
"Não posso separar a luta contra o terrorismo da luta contra o aquecimento global", disse Hollande, durante a abertura das conversas.
"Esses são dois grandes desafios globais que temos que encarar, porque temos que deixar para nossas crianças mais do que um mundo livre do terror, também devemos a elas um planeta protegido de catástrofes", acrescentou.

Dilma pede acordo do clima que seja transformado em lei dentro dos países


A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta segunda-feira (30) na COP21, a cúpula do clima de Paris, que o acordo contra o aquecimento global a ser assinado na conferência tenha força legal - sendo transformado em lei a ser cumprida dentro de cada país que assinar o documento.
O discurso de Dilma se alinhou com a posição da União Europeia, que quer dar ao texto que será assinado na França uma validade jurídica mais forte.
A declaração, entretanto, vai de encontro ao que os Estados Unidos vinham defendendo nas últimas semanas: um acordo que não precise passar pelo Congresso e ser transformado em lei dentro de cada país.
"Devemos construir um acordo que seja também e fundamentalmente legalmente vinculante", afirmou a presidente, em discurso no qual elencou as medidas que o Brasil vem tomando para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Dilma mencionou que o país fez o desmatamento diminuir cerca de 80% em relação aos níveis verificados antes de 2004, mesmo estando em situação delicada para tocar no tema. O desmatamento em 2014 subiu 16% em relação ao de 2013, anunciou o Ministério do Meio Ambiente na semana passada.
A presidente destacou a promessa brasileira para 2030, de reduzir em 43% as emissões em comparação com os níveis de 2005, além de recuperar 32 milhões de hectares de florestas e pastagens degradadas. Ela afirmou que o país já está sentindo os efeitos da mudança climática, com "secas no Nordeste, chuvas e inundações no Sul e no Sudeste do país."
Dilma defendeu também que as promessas de cada país, conhecidas no jargão diplomático como INDCs (Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas), sejam revisadas de cinco em cinco anos.
Isso precisaria ser feito para que o corte de emissões permita ao planeta evitar o acréscimo de 2°C na temperatura global em relação ao normal, um limite onde o aquecimento se tornaria "perigoso".
Se a ideia dos INDCs é que eles sejam determinados voluntariamente pelos países, é preciso impedir que haja retrocesso e cobrar mais ambição. "Nosso acordo não pode ser uma simples soma das melhores intenções de todos", disse a presidente.
Mariana
A presidente também aproveitou o discurso para mencionar a tragédia do rompimento de barragens que levou lama a vários distritos de Mariana, em Minas Gerais.
"A ação irresponsável de umas empresas provocou o maior desastre ambiental na história do Brasil, na grande bacia hidrográfica do rio Doce", afirmou. "Estamos reagindo pesado com medidas de punição, apoio às populações atingidas, prevenção de novas ocorrências e também punindo severamente os responsáveis por essa tragedia."

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