REVISTA RENOMADA CONTINUA EXPONDO A AGENDA GAY: As Kardashian, o "efeito O Boticário" e Zygmunt Bauman

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Bruce Jenner não é mais Bruce. Agora o ex-atleta olímpico e padrasto das irmãs Kardashian atende pelo nome de Caitlyn. E, para todos os efeitos, é uma bela mulher, como comprova a capa da revista Vanity Fair acima. Para variar, houve quem tenha achado isso uma afronta aos valores tradicionais. E de fato é se considerarmos como “valor tradicional” o comportamento que não se aplica mais a uma sociedade em constante mudança. Sim, a sociedade muda. E os pais que não precisam mais pagar o dote pelo casamento de suas filhas agradecem.

O problema é que, diferente da série Between — que conta a história de uma cidade em que toda a população acima dos 21 anos foi dizimada por uma doença — os valores antigos precisam conviver com os novos. E isso cria um conflito como o que aconteceu com o comercial do O Boticário, no qual casais homossexuais se abraçam e, ao que parece, é tão ofensivo que o Conar precisou abrir um processo para apurar as denúncias de pessoas que não querem expor os filhos a um comportamento “desrespeitoso”.

Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman essa desmaterialização dos valores tradicionais é o que compõe a “sociedade líquida”, termo que ele cunhou para definir a era pós-moderna na qual vivemos. “Velhos modos de fazer as coisas não estão mais funcionando adequadamente, enquanto os novos, mais adequados e efetivos, ainda estão sendo procurados, experimentados, testados e rejeitados. Quase não sabemos de onde estamos tentando sair e não temos clareza, ou uma visão confiável para aonde vamos”, disse ele, em entrevista a revista Época.
Logo, o “efeito O Boticário” é, na verdade, uma das últimas oportunidades que algumas pessoas têm para se agarrar aos seus valores e tentar impô-los em uma sociedade que não mais os reconhece. Na revista Filosofia, o filósofo Renato Nunes Bittencourt escreveu: “Um dos sintomas mais evidentes da ‘sociedade líquida’ em que vivemos é a intolerância da massa social diante de tudo aquilo que de alguma maneira se considera como desvio de conduta ou que destoa dos padrões vigentes. Todo tipo de comportamento ou modo de ser que supostamente não se coaduna com nossos princípios particulares torna-se digno de nosso mais terrível desprezo, pois no fundo queremos ver estampado no rosto do ‘outro’ um pouco daquilo que nós mesmos somos”.
A boa notícia para quem deu um like no vídeo do O Boticário é que a sociedade também precisa dos deslikes. No livro O Homem Sem Qualidades, o escritor Robert Musil explicou a importância dos haters: “Sem o Papa não teria havido Lutero, e sem os pagãos não haveria o Papa, por isso não se pode negar que a mais profunda aproximação do ser humano ao seu semelhante consiste na sua rejeição dele”.
A sociedade tem um passado, um presente e um futuro. Ela é praticamente uma pessoa. E, como qualquer pessoa, ela muda. Por isso, não é certo dizer que ela está desmoronando, como afirmam os alarmistas do apocalipse. Ela está apenas se adequando para que Caitlyns possam assumir sua personalidade sem medo e para que casais homossexuais possam se abraçar sem serem processados por atentado violento ao pudor.

Via: revistagalileu
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