Aliados e opositores de Dilma levam disputa ideológica à Venezuela

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O cenário de disputa política entre aliados e opositores do governo de Dilma Rousseff foi transferido para a Venezuela.
A convite da oposição venezuelana, uma comissão de senadores liderados pelos tucanos Aécio Neves e Aloysio Nunes, visita a capital Caracas para "prestar solidariedade", de acordo com Neves, aos políticos opositores Antonio Ledezma e Leopoldo López e "pressionar" o governo do presidente Nicolás Maduro a favor da libertação dos dois.
Ledezma, prefeito da grande Caracas, está em prisão domiciliar acusado de participar de uma tentativa de golpe contra o governo. López, dirigente do partido conservador Voluntad Popular também é acusado de "golpismo" e "incitação à violência" nas manifestações de 2014, que resultaram na morte de 43 pessoas.
A comissão deve deixar o aeroporto indo diretamente à prisão de Ramo Verde, na cidade dormitório de Los Teques, onde está detido Leopoldo López ─ em greve de fome há 25 dias ─ , que os senadores brasileiros consideram como preso político.
O acesso dos parlamentares à prisão de Ramo Verde deve ser vetado, assim como ocorreu com outros dirigentes políticos estrangeiros que tentaram visitar López sem acordo prévio com as autoridades da Venezuela.
O senador tucano Aécio Neves acusa a presidente Dilma Rousseff de "omissão" em relação a situação dos opositores presos e disse que faria em Caracas o que o governo não faz.
"Estamos embarcando para a Venezuela numa missão política e talvez também diplomática, fazendo aquilo que o governo brasileiro deveria ter feito há muito tempo, defendendo as liberdades, a democracia, a libertação dos presos políticos e eleições livres na Venezuela", disse Neves em um vídeo amador, que teria sido gravado na manhã desta quinta-feira, em que o senador é visto a bordo do avião da FAB acompanhado de um grupo de senadores.
A visita dos parlamentares é vista como "ingerência" pelo deputado federal João Daniel (PT-SE), que integra um grupo de políticos e ativistas de esquerda que viajaram à capital venezuelana para fazer ruído contra a presença dos senadores.
"Defendemos a posição do governo Dilma, assim como era a do ex-presidente Lula, de respeito a autonomia e autodeterminação dos povos que vivem e estão em democracia", afirmou Daniel horas antes de viajar a Caracas.
Para o escritor e jornalista Fernando Morais, que também integra o grupo pró-bolivariano que está em Caracas, a visita do grupo de senadores é "desrespeitosa", pois "os direitos humanos não são parte da agenda deles", disse ele à BBC Brasil.
"Nunca se ouviu uma sílaba do Aécio sobre os presos de Guantánamo, que estão presos há mais de 10 anos sem processo judicial, ou sobre os 59 presos políticos dos Estados Unidos condenados à prisão perpétua", afirmou.
"Ele (Aécio) perdeu a eleição em outubro. Perdeu no gramado e agora quer ganhar no tapetão. Quem conduz a política externa é a presidente Dilma."
A delegação pró-governo considera que não há presos políticos na Venezuela, e sim, políticos presos.

Polêmica

A viagem da comissão foi antecipada por uma polêmica. Os senadores tucanos disseram que o governo de Maduro havia negado o pouso do avião da FAB com os senadores a bordo. A Venezuela negou que isso tenha ocorrido.
Na noite de segunda-feira, o senador Aloysio Nunes disse que o governo não havia autorizado a aterrissagem do avião militar brasileiro.
No dia seguinte, Nunes disse que o ministro de Defesa, Jacques Wagner, responsável por solicitar autorização para o pouso da aeronave, não havia obtido resposta das autoridades venezuelanas, fato que o grupo interpretou como uma "negação" ao pedido.
Nunes disse que viajaria de qualquer forma, "vamos de avião de carreira, até de ônibus", disse o tucano. Senadores cogitaram inclusive pedir a retirada da Venezuela do Mercosul.
A chancelaria da Venezuela, no entanto, afirma ter recebido o pedido enviado pelo Ministério de Defesa somente às 12h de terça-feira e concedeu a autorização duas horas depois.
"Não houve sequer demora, como argumentam os senadores. A autorização foi tramitada assim que recebemos o pedido", afirmou à BBC Brasil um diplomata venezuelano.

Ofensiva

A visita dos parlamentares é em resposta a uma ofensiva internacional - liderada pela ala radical da oposição na Venezuela, representadas nessa etapa pela esposa de López, Lilian Tintori, pela esposa do prefeito, Mitzy Ledezma, e pela deputada cassada Maria Corina Machado - que busca apoio de políticos do campo liberal e conservador para pressionar o governo de Maduro.
Nesta quarta-feira, o advogado de López disse que seu cliente já teria perdido 15 quilos em consequência da greve de fome e que seu estado de saúde se debilita.
Da prisão de Ramo Verde, a comissão de senadores deve se reunir com a ala moderada da oposição - que critica as mobilizações encabeçadas por López, Ledezma e Maria Corina Machado. Não haverá encontro com representantes do governo de Maduro.
Além de Neves e Nunes, integram a comissão de oposição Sergio Petecao (PSD-AC), Ronaldo Caiado e Agripino Maia (DEM) e Ricardo Ferraço (PMDB).
Via: BBC
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