Astrônomo do Vaticano: Nenhuma surpresa quando encontrarmos vida noutros lugares

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O irmão jesuíta Guy Consolmagno, novo presidente do Observatório do Vaticano, não tem dúvida de que existe vida noutros lugares do universo. E quando a humanidade descobri-la, a notícia não será recebida como uma grande surpresa.
A reportagem é de Dennis Sadowski, publicada pelo Catholic News Service, 19-09-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
O religioso sugeriu que a provável descoberta – seja no próximo mês ou a daqui mil ano – vai ser recebida de forma muito semelhante como ocorreu quando se deu a notícia, na década de 1990, de que havia planetas orbitando estrelas distantes.
“O público geral irá dizer: ‘Eu sabia. Eu sabia que tinha vida lá fora’”, contou o Irmão Consolmagno ao Catholic News Service antes de uma apresentação em um simpósio na Biblioteca do Congresso/NASA sobre a preparação para a descoberta de vida no universo, ocorrido nos dias 18 e 19 de setembro.
Cientista planetário que estuda meteoritos e asteroides como astrônomo no Observatório do Vaticano desde 1993,Consolmagno afirmou esperar que as perguntas sobre a vida noutros planetas foquem mais sobre como a humanidade vê a si mesma.
“Quando dizemos humano, o dizemos em comparação a quê?”, perguntou-se.
Embora a descoberta de vida fora da terra não prove nem refute a existência de Deus, Consolmagno espera que questão abra as portas para se refletir sobre a forma de salvação que a história pode assumir em outras sociedades inteligentes.
experiente astrônomo do Vaticano faz a mesma pergunta e uma série de outras que cruzam a fronteira entre ciência e religião em seu novo livro intitulado “Would You Baptize an Extraterrestrial? … and Other Strange Questions From the Inbox at the Vatican Observatory” [Como você batizaria um extraterrestre? ...e outras perguntas estranhas que chegam ao Observatório do Vaticano], a ser publicado em outubro. Escrito em parceria com o padre jesuíta Paul Mueller, outro astrônomo do Observatório, o livro usa uma série de diálogos fáceis de serem compreendidos entre os dois num esforço para explicar como a Igreja apoia a ciência e fornece insights sobre como a religião funciona.
Nem tudo é preto e branco como as pessoas imaginam, e não há conflito entre ciência e religião, disseConsolmagno.
“Ao final, aprendemos que o tipo de perguntas que fazemos como cientista e o tipo de respostas que temos também como cientistas são apenas tipos de perguntas que levam a outras questões. Todas são muito contingentes. Agora, compreendo como isso funciona, mas isso torna possível um novo mistério que eu não tinha percebido antes e que, no momento, posso explorar”, explicou.
“As questões maiores, as questões religiosas, são consideradas pela ciência. Elas nos dão a estrutura que nos motiva a fazermos as perguntas da ciência, que nos dá a confiança de que a ciência vá funcionar, explicando por que ficamos animado ao segurar uma rocha vinda do espaço sideral”.
O livro aborda questões sobre a teoria do Big Bang relativas às origens do universo e a história da criação presente no Livro de Gênesis; as circunstâncias em torno da estrela de Belém; o fim do mundo; e a inquisição de Galileu Galileipor parte da Igreja após o cientista ter escrito sobre um sistema tendo como centro o sol, e não a terra.
“Estas são perguntas profundas e reais, porém elas nem sempre significam aquilo que pensamos ser”, falouConsolmagno. “É preciso irmos além e dizer: ‘Quando as pessoas se preocupam com o que era a estrela de Belém, na verdade elas querem saber como Deus age no universo. Será que Deus fez esta estrela? Será que ele arranja as coisas no universo? Faz ele uso de coincidências divinas?
Consolmagno, que em 2000 passou a ter um asteroide com seu nome – o Consolmagno 4597 –, há muito vem promovendo uma melhor compreensão daquilo que é retratado como a divisão entre ciência e religião. O religioso afirma não haver conflito entre a sua fé e sua vida científica.
“Não acho que as pessoas compreendam o suficiente sobre o que é ser um cientista e o que é ser uma pessoa religiosa, membro de uma ordem religiosa ou simplesmente um católico devoto”, falou.
“É divertido. Deve ser divertido. Se não for assim, é porque estamos fazendo a coisa errada. Deus se faz conhecer através da alegria.
C.S. Lewis escreveu sobre isso em sua obra ‘Surprised by Joy’ [Surpreendido pela alegria]. Alegro-me quando tenho um novo insight em meu minúsculo campo de pesquisa sobre como o universo funciona. Alegro-me com um sentido de contentamento e paz durante uma oração na igreja. Alegro-me quando trabalho com os pobres, quando trabalho com os alunos, quando trabalho com os mais velhos”.
Durante a sua apresentação no dia 19 de setembro, com o mesmo título de seu mais recente livro, o Ir. Consolmagnosugeriu que a ideia de se descobrir vida extraterrestre pode ser tão apeladora à humanidade, com todas a sua dor, injustiça e doença, que faz haver a esperança de que “alguma raça avançada o suficiente para cruzar as estrelas para nos visitar deva também ser avançada o suficiente para nos mostrar como superar todas estas enfermidades. É ver os alienígenas como os salvadores da humanidade”.
Outros participantes do simpósio vindos de outras partes do mundo envolvidos na busca por vida em outros planetas abordaram tópicos tais a forma como a sociedade deveria lidar com a descoberta, a astrobiologia e teologia, o status moral dos organismos não humanos e indo além dos preconceitos sobre o que é a vida.
Ávido leitor de ficção científica, Consolmagno receberá em novembro a Medalha Carl Sagan da Divisão de Ciências Planetárias da Associação Astronômica Americana. O prêmio está sendo dado por seu trabalho em informar o público geral sobre a ciência planetária.
Consolmagno também está planejando a primeira oficina sobre fé e astronomia da fundação Observatório do Vaticano endereçado ao clero, religiosos e leigos que trabalham no setor de educação nas paróquias. O evento, que deverá acontecer entre os dias 19 e 23 de janeiro em Tucson, no Arizona, dará a 25 participantes a oportunidade de se juntar, proativamente, em projetos astronômicos, participar de palestras e ver objetos celestes à noite. O prazo para as inscrições vai até 30 de setembro

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Via: Ihu

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