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Escutas sobre Kerry e Hillary comprometem serviços de espionagem da Alemanha

A de Kerry teria sido em 2013, pela rede de escutas no Oriente Médio, enquanto a de Hillary ocorreu em uma viagem para tratar a situação na Síriaments
AGÊNCIA EFE
Angela Merkel
Apesar das escutas, a chanceler Angela Merkel declarou que não espiona aliados
São Paulo – Os serviços de espionagem da Alemanha ficaram comprometidos neste sábado (16) pelas revelações que apontam que escutaram "por engano" conversas de Hillary Clinton e John Kerry, e fizeram um acompanhamento sistemático da Turquia, em contradição com a afirmação da chanceler Angela Merkel de que não se espiona aliados.
Um mês após pedir ao chefe da CIA que deixasse a Alemanha por práticas de espionagem "entre amigos" e da detenção de um espião duplo alemão que vazou aos EUA documentos internos, os serviços secretos da chanceler se viram obrigados a dar explicações sobre as próprias escutas.
Primeiro, foram as informações divulgadas ontem pelo jornal "Süddeutsche Zeitung" e pelas emissoras públicas "NDR" e "WDR", segundo as quais o BND (serviço de espionagem exterior) tinha captado uma conversa telefônica de Hillary, quando era secretária de Estado dos EUA, com o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Depois dessa escuta aparentemente "fortuita", cuja existência revelou uma análise dos documentos vazados pelo espião duplo detido, se seguiram hoje outras informações, agora da revista "Der Spiegel", que indicam que não se tratou de um caso excepcional.
Pelo menos em outra ocasião, houve uma escuta "por engano", além de comprometedora, ao sucessor de Hillary e atual secretário de Estado, John Kerry, enquanto a Turquia, membro da Otan desde 1952, está entre os "alvos prioritários" da espionagem alemã.
Faltando explicações do BND, os próprios meios de comunicação que divulgaram essas informações partem do fato que as escutas de ligações via satélite de Kerry e Hillary ocorreram pela rede de observação em regiões em conflito.
A de Kerry teria sido em 2013, pela rede de escutas no Oriente Médio, enquanto a de Hillary ocorreu, aparentemente, em uma viagem, em 2012, para tratar a situação na Síria.
Tanto a "Der Spiegel" como o "Süddeutsche Zeitung" destacam que se trataram de escutas fortuitas que, inexplicavelmente, não foram apagadas em seguida, como teria sido o correto. Também apontam que estes tipos de situações ocorreram anteriormente, inclusive durante décadas, e que, à margem da suposta gravidade, deram a Kerry o que ele precisava, quando o colega alemão, Frank Walter Steinmeier, lhe pediu para esclarecer os casos de espionagem em massa por parte dos EUA sobre aliados.
A fonte dessas comprometedoras informações são os 218 documentos entregue aos EUA pelo agente identificado pela mídia como Markus R, detido por ordem da Procuradoria Federal, em julho, e que confessou parte das acusações. Fortuitas ou não, no caso da Turquia, estas ações comprometem o BND e reforçam a opinião entre a oposição de que nem Merkel nem o governo querem aprofundar o assunto, já que os serviços de espionagem também realizam essas práticas.
As informações entram, assim, no delicado tema das escutas, ao telefone celular de Merkel, por um lado, e às comunicações de milhões de cidadãos, pelo outro, que minaram as relações da Alemanha com os EUA.
Merkel insistiu, então, e repetiu, a cada vez que foi perguntada, que a espionagem entre aliados é intolerável. No entanto, até agora, Washington não deu respostas sólidas aos reiterados pedidos de esclarecimento apresentados pela Procuradoria Federal que investiga o espião duplo.
A existência dessas escutas, isoladas ou não, explicaria agora por que Berlim ou a chanceler não puseram maior contundência nesses pedidos, enquanto o opositor Partido Verde exigia o esclarecimento total do assunto.
Os verdes, assim como a esquerda, pediram insistentemente a concessão de asilo na Alemanha ao antigo analista da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA, Edward Snowden, para que contribua para essas investigações. O governo, no entanto, lembrou que existem acordos bilaterais de extradição, o que impede qualquer tentativa de garantir a Snowden, atualmente exilado na Rússia, que não seria entregue aos EUA.
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