Ucrânia: movimento de protesto perdeu liderança única

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Ucrânia, manifestações, distúrbios
Foto: Voz da Rússia

A confrontação entre o poder e a oposição está continuando em Kiev. O número de feridos em resultado de ações de protesto tanto da parte de manifestantes como do lado de efetivos de estruturas de proteção da ordem constitui dezenas e até centenas de pessoas.

Na noite passada, manifestantes construíram barricadas de pedras e incendiaram quatro ônibus e dois caminhões que foram instalados diante do cordão da milícia. O governo tenta resolver a crise política, tendo formado um grupo de trabalho especial para conversações com líderes da oposição.
Nas ruas de Kiev, de manhã, houve mais de uma centena de manifestantes que continuavam a esconder-se atrás de barricadas improvisadas, lançando ladrilhos contra agentes da polícia. Defensores da ordem, por seu lado, utilizaram granadas de luz e som, diz o correspondente da Voz da Rússia em Kiev, Alexander Bondarenko:
“Os manifestantes eram muito agressivos: vi como eles lançavam coquetéis molotov. Ladrilhos de calçadas foram principais armas de protestantes que eles lançavam contra agentes da polícia. A polícia tentou contra-atacar várias vezes, mas estes ataques foram rapidamente repelidos. Os manifestantes foram bem equipados: em capacetes e máscaras antigás, com paus, lançando pedras contra policiais”.
Os distúrbios em Kiev começaram após um comício na praça da Independência, dedicado às leis aprovadas na semana passada, que, na opinião da oposição, limitam as liberdades cívicas no país. Os documentos foram assinados sexta-feira pelo presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich. Líderes da oposição intervieram perante os manifestantes. Arseni Yatseniuk propôs um plano de protestos e anunciou várias exigências, inclusive a formação de órgãos paralelos de poder, que, contudo, não satisfizeram os manifestantes que empreenderam assaltos à Casa do Governo e à sede da Suprema Rada. Viktor Klitschko, outro líder da oposição, tampouco conseguiu deter a multidão.
Na situação atual, como parece, nem Klitschko nem Yatseniuk são capazes de controlar os participantes do ato de protesto, considera um politólogo, Aleksei Vlassov:
“A oposição sistémica na pessoa de Klitschko e Yatseniuk utiliza simplesmente radicais como espantalho para o poder atual. Para Klitschko já não importa se os manifestantes atendam aos seus apelos. Conversa com Yanukovich, dando a entender que tudo isso é a vontade do povo e mostrando que mesmo ele não pode controlar essas pessoas caso o poder não faça concessões”.
Na opinião do perito, a aliança com o líder nacionalista, Oleg Tiagnibok, poderá ajudar Vitali Klitschko a ganhar pontos políticos. Por outro lado, apesar de Klitschko parecer como político respeitável em comparação com Tiagnibok, essa aliança pode prejudicar seriamente sua carreira política, continua Aleksei Vlassov:
“A meu ver, mesmo os patrocinadores ocidentais da oposição não podem apoiar aquilo que pretendem os radicais. As conversações em “formato do Maidan” são desvantajosas para a oposição. No contexto da campanha pré-eleitoral, a oposição perde as chances caso o Maidan se disperse. A onda de atividade de protesto é a chance que poderá ser aproveitada por Klitschko e Yatseniuk”.
Ao mesmo tempo, não está claro até hoje quem dos representantes da oposição irá conversar com o poder. O movimento de protesto não tem um líder comum. Os manifestantes apelam para que Vitali Klitschko, Arseni Yatseniuk e Oleg Tiagnibok se determinem. Por falta da unidade, os oposicionistas perdem confiança do povo e dão motivos para novas provocações.
Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/

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